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 SANTA TERESA - Doce Terra dos Colibris
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Circolo Trentino di Santa Teresa
 


Descrição:
Eventuais nomes de associados fundadores: Comissão encarregada de legalizar a fundação e funcionamento do Circolo: Antonio Angelo Zurlo, presidente; Belmiro Perini, secretário; José Pasolini, tesoureiro. Primeira Diretoria, eleita e empossada em 19 de março de 1988: Presidente, Antonio Angelo Zurlo; Vice, José Pasolini; Secretário, Belmiro Perini; 2º Secretário, Antonio Angelo Corteletti (Frei José); Tesoureiro, Marcos Antonio Avancini Foeger; 2º Tesoureiro, Celio Perini; Diretor Artístico, Dymas Espindola Rossi; Diretor do Patrimônio, Hélio Antonio Braga. Conselho Fiscal: Genizelio Bianor Bringhenti, Camerino Casotti, Maria Cleusa Fardin.
Realidade na qual o Circolo opera: notícias geográficas, históricas, econômicas, culturais, sociais em geral.
O Município de Santa Teresa, formado por montanhas, ocupa extensão de 781 km2. A altitude varia de 100 a 900 metros acima do nível do mar, estando a Cidade do mesmo nome a uma altitude de 675 metros, distante 78 km da Capital, Vitória. O clima ameno, tem temperaturas oscilando entre 2º e 30º celsius na zona mais alta e entre 7º e 35º na região mais baixa. Colinas verdejantes circundam a Cidade, estendendo-se pelo interior. O Município possui cobertura vegetal nativa correspondente a cerca de 38% de sua superfície (mata atlântica), com uma das maiores biodiversidades do planeta, inclusive orquídeas e bromélias. O colibri é o símbolo do Município. A situação orogeográfica de Santa Teresa lhe dá o privilégio de iniciar 04 bacias hidrográficas do Estado do Espírito Santo. Não há notícias da preexistência de civilizações antigas. Talvez o clima frio não atraísse os indígenas que habitavam o território brasileiro. Na parte baixa do Município eles estiveram. Os primeiros assentamentos ocorreram a partir de 1874/1875, quando da chegada dos primeiros imigrantes trentinos, vênetos e lombardos. O Município é dividido em 06 distritos, com pequenas propriedades rurais, onde vivem aproximadamente 50% dos 20.645 habitantes, que ali cultivam e criam para sua própria manutenção. Cultiva-se o café, principal cultura da região, secundado pela horticultura e criação de animais (bovinos, suínos e aves), além do cultivo, em pequena escala, do milho, feijão e arroz. Temos atividades industriais (laticínios, mobiliaria, cerâmica, destilarias). Desponta, agora, também, a vitivinicultura. Nas áreas urbanas predomina o comércio. O nível de vida é considerado bom e o desemprego pequeno. Escolas de ensino fundamental e médio mantidas pelo Governo Municipal e Governo Estadual recebem os alunos que são transportados em ônibus a serviço desses órgãos públicos. No interior fica a Escola Agrotécnica de Santa Teresa, instituição federal onde se formam técnicos em agropecuária, indústrias rurais, agroturismo e meio ambiente. A Escola São Francisco de Assis - ESFA, dos Frades Capuchinos Menores, que aqui chegaram há mais de 100 anos, ministra os cursos de farmácia, ciências biológicas, educação física, pedagogia, odontologia e tecnólogo e saneamento ambiental, além do ensino fundamental e médio As Irmãs da Congregação de Santa Catarina mantém um colégio em convênio com o Governo Municipal, com previsão de, a partir de 2008, retornar ao sistema particular. Na sede do Município funciona também um departamento de formação de professores mantido pela Universidade Federal do Espírito Santo em convênio com o Município. Temos postos de saúde no interior do Município e na Cidade, onde está em andamento uma nova e moderna construção. Funciona também o atendimento odontológico. O Hospital Madre Regina Protmann das Irmãs de Stª Catarina com capacidade para 64 leitos e moderníssimas instalações, atende aos pacientes da região serrana. Na parte da assistência social a Associação Pestalozzi atende àqueles que sofrem de deficiências e temos creches e atendimento a menores que tenham problemas de convívio.
História da emigração
A imigração trentina em Santa Teresa teve início ainda em 1874 e a distribuição oficial dos lotes de terra deu-se no dia 26.06.1875. A chegada de imigrantes em Santa Teresa continuou intensa até o final de 1876. Segundo registros em nosso poder os imigrantes provieram de aproximadamente 47 localidades do Trentino, sobressaindo-se Novaledo com 53 famílias, Roncegno com 34, Caoria e Transacqua com 28, Mattarello com 24, Caldonazzo com 11 e Selva (Lev.) com 10 famílias. Consta que a primeira leva "Expedição Tabacchi" com destino às terras desse empresário localizadas na baixada teve frustração total: una vera ciavada! Muitos de seus integrantes rumaram para Santa Teresa, juntando-se às levas sucessivas. Mas, para todos eles foi tudo muito difícil: após o desembarque em Vitória, viagem de um dia inteiro nas canoas impulsionadas pelos chamados canoeiros com remos, até o Porto do Cachoeiro. Dali, viagem a pé, morro acima, através de trilhas em meio à mata virgem, com crianças, apetrechos e mantimentos às costas, numa extensão de 29 km, até ao local de destino. Ali, então, construir suas próprias casas (no início simples abrigos cobertos com palhas de coqueiro), abrir estradas com enxadão, derrubar a mata (mata tropical de grossas árvores) com machado e tentar o cultivo para a subsistência da família, utilizando espécies e variedades diversas daquelas da terra distante, num ambiente estranho, sem ter tido oportunidade de qualquer experiência e sem assistência técnica. Mas, era preciso sobreviver. A terra estava ali, fértil e promissora, clima maravilhoso, quase primavera eterna. "Sol bisognava laorar" conforme afirma Frei José Corteletti. De início as compras de gêneros eram feitas em Porto do Cachoeiro, a 29 km de distância, indo a pé. Partiam ao Sábado na parte da tarde, retornando no Domingo. O restante da semana tinham que trabalhar nas próprias terras e para o Governo, em diversos serviços, principalmente na abertura de estradas. Depois de um certo tempo os tropeiros (condutores de um grupo de mulas, 10, geralmente), já faziam o transporte das mercadorias para pequenos negociantes estabelecidos na região onde os colonos se abasteciam. Consta que um desses comerciantes, um tal Mattedi, na lista de mercadorias entregue a um tropeiro encarregado de fazer o transporte do Porto do Cachoeiro para a sua casa de comércio, além de querosene, sal e outros, ali fez constar 2 o 4 boccai ( due o quattro orinali). Seriam dois ou quatro penicos. Mas, o fornecedor entendeu seriam duzentos e quatro penicos e como não dispusesse dessa quantidade, enviou todos de que dispunha, nada menos que 76 vasilhames, comprometendo-se a enviar o restante assim que fosse possível. Resultado: mulas carregadas e penicos espalhados pelas dependências da loja comercial. O Circolo Trentino di Santa Teresa já completa 20 anos de existência. Foi a partir da fundação que muitos teresenses tiveram despertado o sentimento da trentinidade e de suas próprias origens. Embora muitos já tivessem conhecimento através dos avós, ainda em torno dos anos 930, quando alguns imigrantes visitavam o trentino. Matteo Corteletti, de Mattarello e esposa, por exemplo, viajaram duas vezes a Trento e de lá trouxeram fotos que eram projetadas através de uma grande lente de aumento. Mas, o despertar mesmo, surgiu com a fundação do Circolo. Não houve necessidade de visitar a terra dos avós para descobrir as origens. É o caso, por exemplo, de um associado que após três viagens a Trento, em conversa com amigos, sem se dar conta, assim se expressou: "Mas vejam: quando eu lá retornei pela primeira vez, ao chegar, passando ao sopé do Doss Trento, me parecia estar chegando a um local já meu velho conhecido". Referia-se ele à primeira visita, quando tivera a impressão de um retorno.
Realidade atual dos emigrados
Após praticamente 133 anos, a integração na comunidade está plenamente realizada e diferente não poderia ser, principalmente se considerarmos que cerca de 70% da população do Município têm parentesco trentino. Os habitantes de nossa comunidade vivem da agropecuária, do comércio e também das pequenas indústrias, por conta própria, meação ou emprego. As ligações com a terra dos avós/bisavós é intensa, incentivada ainda com o advento da Lei 379/2000. Alguns dos destaques: Augusto Ruschi, descendente de Stelzer e Roat, Patrono da Ecologia do Brasil; família Florentino Corteletti, descendente de Giuseppe Corteletti, com alta tecnologia produz laticínios tipo "A"; das famílias Coser x Corteletti, João Coser é o Prefeito de Vitória, Capital do Espírito Santo; descendente da família Zanetti, Gilson Antonio S. Amaro é o prefeito de Santa Teresa. É associado e grande incentivador das atividades do Circolo Trentino. José de Anchieta Fontana foi campeão mundial de futebol na Copa 1970.
Vida do Circolo
A motivação que levou à fundação do Circolo Trentino di Santa Teresa foi a presença do pesquisador e historiador trentino Renzo M. Grosselli que passou vários meses percorrendo o Município em pesquisa com vistas à obra de sua autoria COLONIE IMPERIALI NELLA TERRA DEL CAFFÈ - Contadini Trentini (Veneti e Lombardi) Nelle Foreste Brasiliane, livro este que foi solenemente lançado pelo autor em Santa Teresa no dia 13 de maio de 1987, com a presença de autoridades de Trento e do Brasil, inclusive do Presidente do Circolo Trentino di São Paulo. Então, os descendentes fundadores do Circolo passaram a conhecer e refletir mais sobre as próprias raízes. Três jovens teresenses estudaram no Istituto Agrario San Michele A`Ladige e outros 18 participaram de soggiornos promovidos pela Associazione Trentini Nel Mondo. A final, a participação no Circolo é gratificante e o relacionamento com as próprias raízes resulta na união familiar, no trabalho e na observância das normas de comportamento, inclusive do ponto de vista religioso. De tudo isto os nossos avós imigrantes são o espelho vivo. O Circolo conta atualmente com 1.051 associados. Desenvolve atividades culturais, assistenciais e comemorações, ressaltando aquela da fundação do Município. Conta com uma Banda de Música ( jovens), Coral Infantil, Coral Adulto, grupo de danças (jovens), mantém curso de Língua e Cultura Italiana em convênio com a Associação de Língua e Cultura Italiana do Espírito Santo - ALCIES, além de manter atendimento direto e orientação para os interessados na busca das próprias origens. Constitui preocupação do Circolo a implantação de projetos diversos com vistas ao incentivo da participação dos jovens nas atividades comunitárias locais. Acreditamos que toda esta história merece ser conhecida, a ela atribuindo-se o merecido valor. No fundo, no fundo, o que deve prevalecer mesmo é a solidariedade humana.
(Relatório elaborado por Antonio Ângelo Zurlo)


Endereço:  Rua Jerônimo Vervloet,54 - Centro - Santa Teresa -ES


Telefone:  (27)3259-1844


E-mail: santateresa@trentininelmondo.it


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